Geral - 13 Jun 2018 15:26

Simpósio GDH acontece em Chapecó

Por: Nathan Favero Varela
 

A experiência do GDH – Grupo de Desenvolvimento Humano de Chapecó é reconhecida na Rede de Saúde Municipal de Chapecó. E ela pode ser replicada em todos os municípios que queiram melhorar suas práticas em saúde por ter características de baixo custo para sua efetivação, facilidade e simplicidade no processo de implantação e grande impacto dos resultados obtidos. Por isso, acontecerá em Chapecó o Simpósio Municipal de trabalhos com grupos: Potencialidades aos grupos interativos nas politicas públicas acontecerá em Chapecó nos dias 14 e 15 de junho, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes. O encontro é direcionado para estudantes e profissionais das áreas de saúde, assistência social e educação.

Programação


Quinta-feira (14/06/2018)

8 horas – Credenciamento

9 horas – Mesa 1: GDH como prática de proteção de direitos e promoção da saúde mental na Atenção Básica.

Cristina Padilha (Mestre em Saúde Coletiva / Psicóloga do NASF), Bruna Bertollo (Especialista Multiprofissional em Saúde da Família / Psicóloga do NASF) e Maria Elisabeth Kleba (Doutora em Filosofia e Enfermagem / Professora de Enfermagem e da Pós-graduação em Politicas Sociais e Dinâmicas Regionais e em Ciências da Saúde da Unochapecó).

13h30 horas: Mesa 2: Adolescente em situação de conflito com a Lei: o grupo como possibilidade para além do cumprimento da medida socioeducativa.

Silvia Cunha (Coordenadora das medidas socioeducativas do CREAS I); Jozeane Moreira Paz (Especialista em Docência na Educação Superior / Psicóloga CREAS I); Vânia Cella Piazza (Promotora da Infância e da Juventude do Fórum de Chapecó) e Alexandre Karazawa Takaschima (Juiz Auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça CNJ).

15h30: Mesa 3: Os grupos como espaços de Educação Permanente em Saúde: reflexos do prisma na formação.

Fernanda Metelski (Doutoranda em Enfermagem / Enfermeira do Setor de Planejamento e Educação na Saúde / Professora da UDESC); Gessiani Larentes (Especialista em Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde e Redes / Coordenadora do Setor de Planejamento e Educação na Saúde); Carine Vendruscolo (Doutora em Saúde Coletiva / Enfermeira chefe do departamento de enfermagem da UDESC Oeste/ Professora adjunta do mestrado profissional de Enfermagem na Atenção Primária à Saúde da UDESC) e Vivancelli Brunello (Especialista em Saúde Pública / Enfermeira coordenadora do Núcleo de Apoio à Saúde da Família em Chapecó).

19 horas: Abertura Oficial

Palestra: “Por que trabalhar em e com grupos é preciso?”, Luiz Carlos Osório (Psiquiatra e Psicanalista individual e de grupos).

Sexta-feira (15/06/2018)

08 horas: Mesa 4: Luto de pais que perderam filhos: o grupo como uma experiência transformadora.

Juliana Albiero Salvi (Especialista em Comportamento Organizacional / Psicóloga CAPS II); Taiaçu Thuitza Mello (Especialista em Terapia Comunitária Integrativa / Psicóloga CAPS II) e Maria Helena Franco (Doutora em Psicologia Clínica / Professora Titural PUC – SP).

10 horas: Mesa 5: Grupos com Famílias: relatos de experiências no serviço CREAS I e CAPSi II.

Cibele Cinha Lima da Motta em estágio de Pós Doutorado no Laboratório de Psicologia em Saúde da Família e Comunidade da UFSC; Ana Paula Machado (Mestranda Interdisciplinar em Ciências Humanas / Psicóloga CREAS I). Daiana Sebenello (Formanda em Terapias de Casal e Família / Psicóloga no Serviço de Acolhimento); Cassintia Gasparetto Santin (Especialista em Saúde Mental e Atenção Psicossocial / Coordenadora do CAPSi II) e Karina de Witt (Mestre em Politicas Sociais e Dinâmicas Regionais / Coordenadora do Serviço de Acolhimento).

13h30: Mesa 6: Pacientes hiperutilizadores: grupos interativos como uma proposta de intervenção.

Janaina Antonello (Especialista em Terapias cognitivo-comportamentais / Psicóloga NASF); Marcia Pit Dal Magro (Doutora em Psicologia / Professora da pós-graduação em Politicas Sociais e Dinâmicas Regionais – Unochapecó) e Rogério de Souza Barcala (Especialista em Medicina da Família e Comunidade / Professor da Unochapecó).

15h30: Mesa 7: Psicoterapia de Grupo com Pacientes Graves: uma experiência de vida para sempre.

Flavio Braga de Freitas (Mestre em Psicologia Social / Psiquiatra e Coordenador do GDH) e Luiz Carlos Osório (Psiquiatra e Psicanalista individual e de grupos).


GDH

O Grupo de Desenvolvimento Humano – GDH – é serviço oferecido pela Administração Municipal, por meio da Secretaria de Saúde, que visa oferecer atendimentos e capacitar profissionais das diversas áreas de formação para coordenarem grupos de usuários das políticas públicas com finalidades terapêuticas. No cotidiano da assistência das equipes de saúde na Atenção Básica (AB), a saúde mental permanecia à margem dos planejamentos e estruturação das práticas, sendo seu manejo delegado aos setores de especialidades. Com a inclusão dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) em 2008, o Ministério da Saúde proporcionou várias especialidades para apoiarem e matriciarem (construção compartilhada de proposta para intervenção pedagógico-terapêutica) as equipes em todo o território nacional. E em Chapecó, o NASF foi implantado em 2011, trazendo inovações nas práticas de saúde, provocando a desacomodação dos profissionais de seus conhecidos lugares, convidando-os a refletir sobre a complexidade e multideterminação das condições de saúde das pessoas em seus territórios, num enfoque interdisciplinar e psicossocial.

Então, em 2012, foi proposta a criação de um projeto inovador ao gestor de saúde municipal. Esse projeto, nominado como Grupo de Desenvolvimento Humano (GDH), buscava inicialmente a reorganização da assistência aos usuários, nos moldes de grupos interativos, no âmbito da saúde mental. No entanto cresceu e ultrapassou as fronteiras que lhe destinavam seus objetivos iniciais, resultando na ativação de uma Rede de Atenção à Saúde (RAS) integrada com os serviços de Saúde Mental (Centro de Atenção Psicossocial Adulto - CAPS II; Infantil - CAPSi; e Álcool e Drogas - CAPSAD), Proteção Social (Centro de Referência de Assistência Social - CRAS) e Atenção Básica (Centros de Saúde da Família - CSFs) com foco no cuidado das pessoas. Posteriormente foram incluídos no GDH os serviços de especialidade em infectologia (Hospital Dia), Centro de Atendimento Socioeducativo (CASE), Departamento de Atenção Prisional (Penitenciária), ONG Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência (FCD) e instituição de ensino superior (Unochapecó).

Como funciona?

As políticas de saúde e de proteção social nacionais consideram que a saúde mental é indispensável no cuidado integral ao ser humano. Neste sentido, observa-se que grande parte dos problemas de saúde apresentados pelos usuários na Atenção Básica são permeados por fatores emocionais e que os profissionais possuem limitações no seu manejo, seja por despreparo ou por sobrecarga imposta pela demanda do sistema público de saúde como um todo. Assim, o GDH se configura como uma ferramenta de trabalho eficiente e eficaz, uma nova tecnologia social trazendo soluções para o sistema como um todo, desde a integração dos diferentes serviços, passando pela capacitação dos profissionais e resultando na assistência ao usuário conforme preconiza a PNH: de forma mais integral, equânime e humana.

A finalidade do GDH é atuar nos níveis de atenção primário e secundário da rede de saúde e tem por finalidades principais: contribuir com o processo de estruturação da rede com foco no cuidado das pessoas, integrada com os diversos setores do município, fomentando a interdisciplinaridade, a transdisciplinaridade, a intersetorialidade e a equidade; fortalecer a escuta dos diversos profissionais participantes do processo de matriciamento aos aspectos humanos dos usuários da Atenção Básica; ampliar o acesso à assistência na rede bem como reduzir o tempo de espera pelo atendimento; incrementar a promoção de saúde trabalhando o processo de autonomia (critério básico definidor de saúde) dos usuários do Sistema Único de saúde (SUS) através do exercício de enfrentamento e solução dos problemas nas práticas grupais; e (e) fomentar a educação permanente no SUS.

Projeto

O projeto em Chapecó se desenvolve em quatro momentos diferentes e complementares, sendo: (1) matriciamento, (2) assistência direta aos usuários, (3) seminário pós grupo e (4) supervisão com profissionais. O primeiro momento, o matriciamento, acontece a cada 21 dias com duração de 4 horas, na Secretaria de Saúde, onde todos os profissionais participantes se encontram e compartilham experiências práticas e estudos teóricos sobre determinados assuntos pertinentes à saúde mental. Os critérios de inclusão dos profissionais consistem em atuar na RAS ou em instituições parceiras, ter formação de nível superior, apresentar comprometimento e responsabilidade, participar regularmente dos encontros de capacitação, estudar os textos sugeridos e realizar grupos interativos em parceria com outros profissionais do GDH em seu local de atuação.

O segundo momento, a assistência direta aos usuários, se dá através de grupos interativos, ou seja, com características horizontalizadas, onde os sujeitos participantes discutem os seus problemas e em conjunto buscam a solução dos mesmos mediados pelos profissionais assistentes. Acontecem semanalmente nos diferentes serviços envolvidos, com duração de 1 hora por um período variável de 3 a 10 meses, com total de usuários participantes variando entre 3 a 20. Os usuários são selecionados a partir de suas demandas e convidados a participar dos grupos de forma voluntária e mediante a aceitação e respeito às regras acordadas no primeiro encontro. No caso de menores de idade, a participação implica em autorização dos responsáveis legais. Participam usuários com idades desde 10 a 80 anos.

O terceiro momento, seminário pós-grupo, se desenvolve logo após o encerramento do grupo interativo, com duração aproximada de 30 minutos, em que os profissionais participantes discutem entre si sobre aspectos do grupo realizado, refletindo e buscando novas abordagens para dar continuidade ao processo. E o quarto momento, supervisão dos profissionais, acontece semanalmente na Secretaria de Saúde, com o encontro de um profissional de cada grupo com o psiquiatra para análise e discussão sobre o desenvolvimento dos grupos, com duração de 1 hora e 30 minutos.

Participação e capacitação

O GDH foi iniciado em 2012 com a participação de 04 psicólogos do NASF matriciados pelo psiquiatra realizando 2 grupos interativos com usuários de medicamentos controlados da Atenção Básica. Após essa experiência inicial, no mesmo ano, alguns médicos foram convidados a participar. E logo em seguida o convite se estendeu para a participação de todas as categorias profissionais envolvidas na rede.

Até 2016 foram capacitados 50 profissionais e desenvolvidos mais de 50 grupos interativos com temáticas variadas (representando aproximadamente 800 encontros, num total de 500 usuários contemplados), como por exemplo: usuários com transtornos mentais comuns, mulheres vítimas de violência sexual, familiares de pacientes com transtorno mental grave, familiares de vítimas de violência sexual, usuários com transtornos mentais comuns e graves (misto), usuários com transtornos mentais graves, familiares de adolescentes e crianças dependentes químicas, familiares de crianças e adolescentes portadores de transtorno mental grave, adolescentes infratores, mulheres em situação de violência, usuários com diagnóstico de depressão e ansiedade, compulsão alimentar, trabalhadores em sofrimentopsíquico,trabalhadores afastados do trabalho, usuários hiperutilizadores, luto de pais que perderam filhos, entre outros.

Atualmente são 107 profissionais participantes das seguintes categorias: assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, dentistas, educadores físicos, farmacêuticos, médicos, nutricionistas, pedagogos, fonoaudiólogos, professores, advogados e estagiários universitários. Estes são divididos em três grandes grupos para os encontros de estudo: iniciantes com 55 participantes; intermediários com 20 e avançados com 32. O que representa a qualificação profissional para a Atenção Básica e para a rede e faz com que essa rede atue de forma efetivamente integrada em sinergia, onde o conjunto representa muito mais que a soma de suas partes.

Contribuições

O GDH contribui com o processo de desenvolvimento da autonomia, emancipação e transformação dos usuários a partir de um olhar diferente sobre os sentimentos, onde se sentem acolhidos em suas demandas e contam com o não julgamento dos envolvidos, o que torna possível o empoderamento para aprender a lidar com seus problemas do cotidiano, que fazem parte do existir humano e, assim, promove a sua própria saúde e também a saúde das pessoas com as quais convivem.

Cabe salientar que o GDH transforma o olhar dos profissionais sobre os serviços e ações realizadas nos grupos, observa-se uma intensa e profunda mudança do paradigma saúde-doença para outro centrado na pessoa como ser humano senciente, ou seja, representa uma real e efetiva contribuição ao processo de humanização no SUS. Ocorre, ainda, uma mudança na postura profissional a partir dos aprendizados e interação com outros seres humanos em situações de sofrimento que, inevitavelmente, espelham-se e transformam-se junto com os usuários e esta metamorfose se irradia para os demais membros da equipe, resultando em todo um processo de transformação do atendimento na AB de forma diferenciada e humana.

Constata-se que os atendimentos aos usuários na rede do SUS, através dos grupos interativos praticados no GDH pelos profissionais, têm contribuído para diminuir a demanda reprimida em saúde mental. Estas atividades realizadas em grupos terapêuticos ampliaram a capacidade de atendimento aos usuários do SUS com sofrimentos psíquicos, dos quais podemos enfatizar os pacientes com Transtorno Mental Comum (TMC) e os Hiperutilizadores do SUS. Além disso, resultou na diminuição de: (a) encaminhamentos dos pacientes com transtorno mental leve e moderado, que fazem parte do TMC, ao serviço especializado em saúde mental CAPS; (b) dos encaminhamentos de Hiperutilizadores do SUS à rede especializada em geral (e seus decorrentes gastos com solicitação desnecessária de exames complementares, muitas vezes de alto custo); e (c) da medicalização da assistência com uso de psicotrópicos, como antidepressivos, ansiolíticos e sedativos.


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