Política - 23 Fev 2018 15:08

Após pressão popular, governo federal desiste da Reforma da Previdência

Por: Direto da Redação TSC
 
Após pressão popular, governo federal desiste da Reforma da Previdência (Foto: Divulgação)

A semana começou com a notícia que o governo jogou a toalha a admitiu que não vai votar mais a reforma da Previdência. A explicação é que o presidente Michel Temer avaliou que não há como votar uma emenda à Constituição durante uma intervenção federal, como a que está acontecendo na área de segurança no Rio de Janeiro. Na prática, sabe-se que o governo não tinha os votos necessários, além de enfrentar forte oposição tanto da população quanto de diversos políticos que veem falhas nesse novo modelo de previdência e a forma como seria colocado em prática.

Um dos setores que mais contribui com o rombo da previdência é a aposentadoria dos servidores públicos federais. O déficit do governo federal com a aposentadoria dos cerca de 1 milhão de servidores da União foi maior do que todo o registrado com os 33 milhões de aposentados da iniciativa privada - o rombo dos servidores aposentados da União foi de R$ 90,7 bilhões, ante R$ 85 bilhões da Previdência geral. Esses gastos com aposentadorias superam hoje todos os investimentos feitos pelo governo em três áreas que deveriam ser prioritárias, Segurança Pública, Saúde e Educação.

Quando dividimos o rombo por beneficiário, fica mais clara ainda a diferença: no setor federal cada servidor inativo teve um peso anual de R$ 92.425,48 no déficit. Já no regime geral o valor ficou em R$ 3.034,98 por aposentado. O presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia, disse que não pode ficar segurando a pauta da previdência.

- Sem a reforma a gente não sabe o que vai acontecer com o Brasil, mas não vou ficar nessa agenda a vida inteira. Não votou, será a agenda da eleição, do próximo presidente. Vamos ver quem vai enfrentar o tema de forma transparente, de forma aberta – disse.

Aqui no Estado, há dois anos algumas mudanças foram aprovadas na previdência catarinense, com foco justamente nessas aposentadorias maiores, as do serviço público.

- O caminho a seguir é o que fizemos aqui em Santa Catarina: preservando os direitos dos trabalhadores e realizando mudanças que respeitam o trabalhador que já está há 20 anos atuando - afirmou Gelson Merisio, que era presidente da Assembleia Legislativa na época.

A AL aprovou essa mudança em 2015, quando ainda não estava no vermelho, ajudando Santa Catarina a atravessar a crise enfrentada pelo país.

Merisio, hoje presidente do PSD-SC, é um dos políticos que fez pressão agora contra a reforma da previdência nacional.

- Nos termos e na forma como ela é proposta, sou contra. Eu entendo que a previsão para o futuro tem que mudar, mas para quem está ingressando no serviço público ou privado a partir de hoje. Para quem já está no mercado de trabalho há anos, é preciso uma transição entre o modelo antigo e o modelo novo e isso tem que ser discutido com a sociedade e por um governo que tenha legitimidade popular – o que não é o caso desse governo que está aí - completa Merisio.

Essa falta de transição entre os trabalhadores antigos e os que estão entrando no mercado de trabalho é um outro ponto muito criticado. Na França, por exemplo, onde o sistema previdenciário é parecido com o brasileiro, as reformas da previdência começaram em 1993 e estão ainda em curso, sendo as mudanças mais recentes de 2013. Na Alemanha, a reforma do sistema começou em 1992, com mudança progressiva projetada até 2029.

- Se Fernando Henrique Cardoso tivesse feito isso 20 anos atrás, a gente já teria uma previdência arrumada. Agora querem fazer tudo ao mesmo tempo, sem respeitar um debate maior e, no fim, acabam sem fazer nada - critica Merisio.


Imprimir
Enviar para um amigo
Assinar

Envie esta notícia para um amigo



Comente
esta notícia

Ao efetuar um comentário, o seu IP (Internet Protocol) será gravado e poderá ser utilizado para identificar o usuário que inseriu o mesmo.
Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor do comentário e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais do Tudo Sobre Chapecó.


Outros comentários

noresults

Caso o comentário acima for abusivo ou seu nome for utilizado indevidamente, denuncie.

Notícias por data:

a
Voltar