Chapecoense - 07 Dez 2017 15:31

ALÉM DAS QUATRO LINHAS: Do roupeiro ao presidente

Por: Nathan Favero Varela
 

A frase, muito utilizada pelo ex-presidente Sandro Pallaoro, vai muito além de palavras. Ela se tornou um símbolo de humildade e reconhecimento do trabalho de todos que fazem parte deste clube. Atualmente a Chape conta com quatro profissionais responsáveis pela rouparia: Jorge Luiz de Andrade, mais de 15 anos “de casa”, Evandro Luiz Dallgnol, Valcir Roanning e Isaias Sampaio.

Seu Jorge destaca os excelentes resultados conquistados e as dificuldades de seguir após o acontecimento de novembro de 2016. “Foi o ano mais difícil da minha vida, tanto profissional como sentimental. Janeiro chegou e a temporada tinha que começar, foi preciso muito força para reerguer a Chape. Mas no final da temporada realizamos nosso sonho e o desejo dos que nos deixaram”.

A missão de conduzir uma rouparia não é fácil, são os primeiros que chegam e os últimos que saem. Os quatro responsáveis pelo setor dividem tarefas. Seu Jorge (como é carinhosamente chamado no clube) e Isaias focam em deixar tudo em ordem para os treinamentos; Valcir toma conta da parte interna da rouparia e Evandro fica com a organização das viagens. “Eu chego às 6h30 para abrir a rouparia e organizar tudo aqui, e saio só no fim do dia, quando acaba tudo. Mas sinto muito orgulho de fazer parte da Chape e viver tudo isso”, comenta Valcir.

Numa temporada com 79 jogos, contando três amistosos, Evandro viajou como nunca. “Não fiz apenas dois jogos no ano. É coisa que a gente gosta de fazer, sempre vivi no meio do futebol e estar entre pessoas desse nível vale a pena, é recompensador”, comenta. Evandro era mordomo do sub-20 da Chape até a Copa São Paulo deste ano, depois foi convidado para fazer parte do profissional. “Foram passados objetivos no início do ano e, sem vaidade nenhuma, o grupo conquistou todos. Ninguém queria ser melhor que ninguém, todos se ajudando para reerguer o clube. E conseguir ajudar a Chapecoense se manter nesse patamar e ser reconhecido pelo meu trabalho, não tem preço.”

O Jovem torcedor que passou a conviver com seus ídolos

Isaias é o mais jovem dos quatro. Com apenas 19 anos, ele conta que é maravilhoso estar no dia a dia com os atletas. “Eu sempre fui um apaixonado por futebol e torcedor da Chape. No início, não vinha muito para o estádio, mas sempre ficava grudado no radinho. Depois passei a frequentar mais as arquibancadas e agora é um grande orgulho contribuir com meu trabalho para o clube”, destaca o jovem.

O garoto tem atribuições que vão além das quatro paredes de uma rouparia. Antes de cada treino, monta o kit necessário para cada atleta - meia, calção, camisa, calção térmico e muito mais - e após o trabalho dos atletas limpa todas as chuteiras e tênis que foram utilizados. Mas é no decorrer do treinamento que está o diferencial: Isaias e Seu Jorge auxiliam na organização de coletes, cones, bolas e o que mais for preciso. São peças fundamentais também no trabalho de campo.

Isaias, 19 anos de idade, um ano e quatro meses na Chape. Seu Jorge, 66 anos, mais de 15 vividos no clube. Diferenças que unem. O mais jovem vê no senhor, que tanto fez por esta camisa, uma forma de inspiração. “Quero ficar por muitos anos na Chape, o Seu Jorge serve de inspiração. Aliás, tudo o que sei foi ele que me ensinou”, revela o garoto.

A dor, a superação e a proximidade do adeus

Inquieto nos dias que não tem atividade no gramado, Seu Jorge anda de um lado para o outro e diz gostar de quando tem treinamento no campo, com bola. Quando a equipe está viajando ou faz trabalho de academia, fica lhe faltando algo. Apesar disso, ele afirma: “a aposentadoria está próxima. Pretendo fazer mais uma pré temporada até o fim do Catarinense, depois acho que vou parar. Estou analisando”, revela.

Foram tantas as dificuldades e perrengues enfrentados por esse clube que nem série tinha, mas com muita luta e superação, hoje a Chapecoense é campeã Sul-Americana e estará, em 2018, entre os maiores do Brasil e da América do Sul. Apesar de tanta dificuldade nos anos que beirava ao amadorismo, nada se compara ao que o senhor, calejado pela vida, passou recentemente. “O primeiro jogo do ano, contra o Palmeiras, foi o momento mais difícil da temporada. Eu participei da entrega das medalhas às famílias das vítimas, eu vi a dor de todas aquelas pessoas que perderam seus entes queridos. Foi muito difícil”, conta com os olhos marejados.

A ligação forte com o grupo de 2016 é evidente e o mordomo não segura as lágrimas ao lembrar do “vamos, vamos, Chape!”. “Cada vez que eu ouço, em qualquer lugar, eu me emociono. Foram tantos amigos. Eles que criaram esse canto que hoje o mundo todo conhece. Eles são eternos!”


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