Chapecoense - 20 Dez 2017 13:58

Além das quatro linhas: A atuação do Departamento Jurídico no futebol

Por: Nathan Favero Varela
 
Além das quatro linhas: A atuação do Departamento Jurídico no futebol Os advogados Marcelo Zolet, Thiago Degasperin e Andrei V. Hauser com o Vice-Presidente Administrativo, Ivan Tozzo. Foto: Daniel Fasolin

Se o ano da Chapecoense terminou de forma positiva em todos os departamentos - com destaque para o futebol, carro chefe do clube - é porque muito além das 4 linhas, inúmeras forças trabalharam a fim de que o clube continuasse. O grande desafio começou ainda em dezembro de 2016, já que diante da acertada decisão de dar continuidade à Chapecoense e principalmente ao time de futebol, se iniciou uma força tarefa a fim de montar um time perante uma circunstância inédita na história do futebol. Foi uma batalha contra a emoção - perante a triste e irreparável perda de tantas pessoas queridas - e uma corrida contra o tempo, já que a reapresentação do elenco - que ainda não estava formado - aconteceriam dentro de alguns dias. Além de todo o Departamento de Futebol, que fez um trabalho incansável e incontestável, quem atuou de forma fundamental foi o Departamento Jurídico.

O advogado Marcelo Zolet fazia parte da diretoria alviverde como Secretário do Conselho Deliberativo desde 2010; sofreu com a falta dos inúmeros amigos - que, inclusive, eram companheiros do futebol de final de semana - mas teve que se manter firme para dar sequência ao legado. A primeira grande responsabilidade foi um dia após o acidente, quando viajou para a Colômbia a fim de agilizar as tramitações envolvendo as vítimas - como reconhecimento e questões burocráticas internacionais para a liberação. Ele representou, ainda, a Chapecoense nas reuniões com representantes da resseguradora no Brasil e no Chile. Depois, o desafio foi remontar a Diretoria e por último, mas de forma alguma menos importante, Marcelo atuou diretamente no processo de contratação de mais de 20 atletas. Desde o princípio, o objetivo do Departamento de Futebol era simples: construir um time competitivo para manter a equipe na Série A, conforme os antigos dirigentes haviam deixado. Para isso, no entanto, era necessário que o Departamento Jurídico entrasse em ação e, em tempo recorde, regularizasse todas as situações envolvendo os diversos contratos dos inúmeros atletas que estavam chegando.

A Marcelo Zolet - que trabalha na Sede Administrativa do clube junto com o também advogado Andrei Vinícius Hauser -, juntou-se Marcelo Amoretty. Atuando, há 16 anos, na área do Direito Desportivo, Amoretty recebeu do Diretor Executivo de Futebol da Chapecoense, Rui Costa, o convite para prestar serviços ao clube e ser peça fundamental da reconstrução. “O Rui me telefonou explicando que tinha assumido o clube como executivo de futebol, que havia feito a contratação de 25 jogadores e que precisava de um auxílio para regularizar toda a documentação dos atletas: contrato de empréstimo com os outros clubes, contrato de trabalho, contratos de imagens, os contratos federativos (CBF),  com a finalidade de colocá-los no BID, que é o que da condição de jogo para os atletas” destaca Amoretty. Ele chegou em Chapecó no dia 11 de janeiro e a partir desta data, restavam 16 dias para providenciar a documentação de todos os atletas.  Zolet, Amoretty e todo o Departamento Jurídico - bem como o Departamento de Registro de Atletas - assumiram o compromisso e deram conta do recado. Mais do que isso, tiveram, a curto prazo, a melhor das recompensas: ver o time em campo, conquistando o inédito Bicampeonato Catarinense, pouco tempo após a mobilização para remontar a equipe.

O desafio seguinte - outro pilar fundamental para a reconstrução alviverde - foi o apoio e a assistência às famílias das vítimas do acidente aéreo. Desde o começo, o clube primou por atender da melhor forma possível todos os envolvidos, a fim de manter uma imprescindível boa relação e, para atuar nesta área, a Chapecoense contratou Thiago Degasperin. Munido de conhecimento, compreensão e cautela - ferramentas necessárias para lidar com um assunto tão delicado - coube a Thiago entender as demandas das famílias e, a partir disso, estreitar a proximidade entre clube e familiares. A partir de reuniões com as associações da ABRAVIC e da AFAV-C, bem como com familiares das vítimas, foram conquistados avanços interessantes no que diz respeito ao compromisso do clube com as pretensões dos familiares. De acordo com Thiago, acima de qualquer contrapartida, a Chapecoense atua com o objetivo principal de amenizar a dor dos envolvidos.

Além das especificidades de cada um, a rotina do Departamento Jurídico, dentro de um clube de futebol, é carregada de inúmeras outras atribuições. Redigir e analisar contratos, supervisionar o cumprimento das normativas do estatuto do torcedor, bem como assessorar e orientar de forma preventiva qualquer representante da Chapecoense. Fato é que as responsabilidades são grandes, mas a certeza dos resultados positivos, dentro e fora de campo, garante a motivação de todos os profissionais que fazem parte das conquistas da Chapecoense.

Por Alessandra Seidel


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